O Horror e a Poesia como Portais Esotéricos para a Transcendência!



Por Vesper Trevors, crítico literário e escritor, que nos deixou durante os anos sombrios da pandemia.

Estamos mergulhados numa era de esvaziamento espiritual, onde a arte, na maioria das vezes, não passa de distração barata, algo que nos mantém entretidos sem nunca nos tirar do chão. Por isso mesmo, é raro e precioso encontrar alguém que ainda insiste em devolver ao horror e à poesia seu antigo poder de elevação. Falo do catarinense Rogério S. de Farias, cujos contos e poemas surgem quase como atos de resistência num mundo que parece ter esquecido o que significa olhar para cima.

No trabalho dele, o horror não é enfeite nem mero susto. É algo mais profundo: um espelho cruel da crise que corrói o homem de hoje. Aquelas névoas densas, os monstros que espreitam nas sombras, as cidades que parecem engolir a luz – nada disso é fantasia gratuita. São imagens que refletem o vazio que se instalou dentro de nós, a desordem que ameaça devorar a alma antes mesmo do corpo.

E os poemas, ah, os poemas... Eles carregam um lirismo escuro, quase funerário, que rejeita de cara qualquer otimismo fácil, aquele que a modernidade vende como remédio milagroso. Farias não nos poupa. Ele nos arrasta para o confronto com o caos, como quem sabe que só olhando de frente para o abismo a gente consegue, talvez, entrever algo maior, algo que transcende.

A poesia como caminho iniciático

O que mais me impressiona na poesia de Rogério é como ela vai além de simplesmente embelezar o terror. Ela funciona como uma verdadeira via iniciática – daquelas que mudam quem se arrisca a percorrê-la. Não é só leitura; é quase um ritual.

Os versos dele, cheios de mistério e peso, mostram que o horror pode ser transfigurado: o que assusta vira símbolo do sagrado, como se as trevas fossem apenas o véu que esconde a luz mais intensa. O ritmo, a cadência das palavras, tudo isso não é mero detalhe estético. É ferramenta. Serve para acordar no leitor uma percepção que a vida cotidiana costuma sufocar. Cada poema vira um gesto mágico, uma invocação que nos tira do mundo raso e nos empurra para o eterno.

O horror como porta para o sagrado

No fim das contas, a arte de verdade sempre teve essa função: elevar o espírito acima da podridão do dia a dia. Os textos de Farias fazem exatamente isso. Eles nos convidam a ver o horror não como ponto final, mas como passagem. O terror que ele cultiva tem algo de filosófico, quase místico – é uma preparação para quem ainda quer se livrar da prisão do aqui e agora, dessa imanência que nos sufoca.

Ler Rogério S. de Farias não é consumir literatura comum. É se expor a uma tentativa séria de devolver ao horror e à poesia seu lugar no domínio do espírito. Ele nos lembra, com uma clareza incômoda, que mesmo no meio da escuridão mais cerrada pode haver um caminho para a luz. E que o grande combate não é contra monstros de ficção, mas contra aquela dissolução silenciosa que acontece dentro de cada um de nós.

Rogério Silvério de Farias segue sendo uma das vozes mais singulares da literatura brasileira atual. Catarinense de nascimento e de alma, ele une num só fôlego o lirismo sombrio, a reflexão existencial profunda e atmosferas fantásticas que misturam terror psicológico com ecos de misticismo gnóstico. Num panorama muitas vezes dominado pelo superficial, sua obra é um raro ponto de resistência – e de esperança.

O escritor catarinense Rogério S. de Farias é um notável autor da literatura brasileira de horror contemporânea, reconhecido por suas narrativas que combinam atmosfera sombria, tensão psicológica e densidade filsófica
As principais características de sua obra contística e poética incluem:
  • Gênero e Temática: Sua obra se insere predominantemente nos gêneros de suspenseterror e gótico. Os temas recorrentes exploram o medo, a morte e o sobrenatural, frequentemente transcendendo o mero horror físico para abordar questões existenciais e filosóficas.
  • Atmosfera e Estilo Narrativo: Farias é mestre em construir uma atmosfera opressiva e sombria. Utiliza a hesitação entre o real e o inexplicável (característica do gênero fantástico) para inserir o leitor em um terreno de incerteza, mantendo a tensão.
  • Foco na Psicologia: Além do horror exterior, suas narrativas focam na tensão psicológica dos personagens, explorando as complexidades da mente humana diante do terror.
  • Natureza dos Contos: Seus contos são frequentemente descritos como "sombrios" e se passam em "reinos estranhos e sombrios", indicando um afastamento do cenário cotidiano para a criação de mundos ficcionais imersivos.
  • Poesia: Embora seja mais notável pelos contos, sua poética também reflete uma visão sombria e melancólica, com aforismos que evocam a mortalidade e o desespero ("O horror é não morrer!"). 
  • Em suma, a obra de Rogério S. de Farias destaca-se pelo uso do horror como ferramenta para aprofundamento filosófico e psicológico, consolidando-o como uma voz importante no terror literário brasileiro atual. (Fonte: Gemini)

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